Reproduzo, abaixo, artigo de autoria do Assessor de Formação do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, Maurício Flavio Koller da Rocha:
Vivemos um período impar na história do Brasil. Em poucos momentos da nossa história – ou talvez somente neste período muito recente – encontramos no presente e no futuro expectativas reais de vivermos em uma grande nação, respeitada por sua grandeza e por sua pujança, e por transformar cada brasileiro credor de direito à moradia, ao emprego, de adquirir um carro, uma geladeira ou um fogão, ou, principalmente, a se alimentar dignamente.
Parece pouco e para alguns pode até ser absurdo o fato de um país com tamanha produção de alimentos ainda abrigar pessoas que passam fome. Este, porém, é o legado de 500 anos de história em que as elites econômicas, sempre de costas para o povo – mas não sem a chibata na mão, vale dizer – e sempre subalternas às grandes potências, dirigiram o Brasil.
Estes traços de 500 anos ainda nos são um fardo pesado e o novo Brasil que surge só se reafirmará com a altivez de seu povo, pois o velho resiste e insiste em meio a este longo período de resistência e acúmulo de novas forças.
No mundo do trabalho, bem sabemos que os empresários ainda teimam em submeter trabalhadores a condições precárias – sejam elas salariais, de saúde ou jornada –, sempre sob a ameaça da demissão.
Há momentos na história, contudo, que é preciso refletir em busca de respostas para as seguintes questões: De que lado nós estamos? Quem nos substituirá nas linhas de montagem das fábricas nas quais trabalhamos? Será o filho do patrão ou o filho do acionista de uma empresa como a Fiat? Não, serão os nossos filhos.
Ter lado é assumir o Sindicato como instrumento ou ferramenta para conquistas atuais e futuras – ferramenta esta que precisa estar instrumentalizada por uma política correta, que aponte onde se está e onde se pode chegar a cada momento, mas, principalmente, aonde se quer chegar.
Instrumentalizar significa dar sustentação política – participar, referendar as decisões e fazer o debate em grandes assembleias e outros fóruns da categoria. Significa dar suporte financeiro para sustentar ações de comunicação e formação e assessoramento jurídico, entre outras iniciativas compatíveis com o investimento feito pelas empresas para manter os salários arrochados e os trabalhadores coagidos, para assegurar seus elevados lucros.
Não é mais admissível que o metalúrgico venha ao Sindicato somente a mando de suas chefias, que têm como uma de suas funções a de desorganizar os trabalhadores para mantê–los sobre seu controle, ou para assinar sua demissão. Sindicato é espaço da categoria, construído e mantido pela contribuição e presença constante do trabalhador, numa relação de confiança e colaboração mútuas.
Nestes 34 anos, o Sindicato tem cumprido e continuará a cumprir o papel que lhe cabe na formação política e profissional da categoria; na assistência jurídica para preservar direitos negados pelos empresários; na vigilância das condições de saúde no ambiente de trabalho. Mas jamais substituirá a atitude que cada um de nós precisa tomar nas ações conjuntas que virão. É esta tomada de consciência que nos possibilitará ampliar direitos para quem trabalha atualmente e para os trabalhadores que virão.
Nossa luta vai colhendo frutos e conquistas importantes, que vão além dos ganhos financeiros – que são importantes, embora ainda signifiquem uma minúscula parcela de toda a riqueza que o trabalho produz. É da luta que brotam a unidade e a convicção de que nada do que o trabalhador conquista vem de graça. Neste sentido, é preciso ter uma direção que aponte caminhos e uma base convicta de que, mesmo com todas as adversidades e pressões, deve mobilizar-se.
O governo Lula nos deixará a lição de que outro Brasil é possível. A Campanha Salarial que acabamos de realizar nos mostrou que é possível lutar pela valorização do trabalho.
Por tudo isso, a pergunta é: Quando e em quem você vai acreditar?
Mauricio Flavio Koller da Rocha
Assessor de Formação do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim
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